
De forma geral, os nematoides fitoparasitos limitam o cultivo do cafeeiro, principalmente em solos arenosos, com baixa fertilidade e sujeito à deficiência hídrica. Várias espécies de nematoides estão associadas à cultura do café, mas as espécies dos gêneros Meloidogyne e Pratylenchus são os parasitas comprovadamente nocivos. Estima-se que a redução da produção mundial de café, devida aos nematoides, seja em média de 15%. No Brasil, um valor médio de 20%.
Atualmente, são conhecidas 17 espécies de Meloidogyne infectando o cafeeiro, sendo Meloidogyne incognita, M. exigua e M. paranaensis as mais prejudiciais, devido à ampla disseminação, à elevada capacidade destrutiva do sistema radicular (fixação dos vegetais e absorção de água e sais minerais), à resistência no solo e à fragilidade da maioria das cultivares a esses nematoides, o que dificulta a implantação de novas áreas e a manutenção de áreas já infestadas. Em Minas Gerais, a principal espécie é M. exigua.
O parasitismo desses nematoides em plantas daninhas no cafezal, bem como em plantações em meio ao café, é um fator agravante dentro da lavoura. Tais plantas podem aumentar consideravelmente os nematoides no solo e o prejuízo à cultura principal. Portanto, o conhecimento acerca da reação de plantas que serão cultivadas na área de café (feijão, por exemplo), é extremamente importante para garantir o sucesso da lavoura e evitar maiores danos ao cafezal.
CONTROLE
Entre as medidas de controle de fitonematoides, as preventivas são mais eficientes e econômicas se comparadas aos tratamentos curativos. Controlar preventivamente, tem como objetivos a utilização de mudas livres de nematoides e plantio em áreas não infestadas. Essas informações são obtidas na prévia análise nematológica do solo e raízes da cultura, feita na área a ser plantada.
Como explicado em publicações sobre nematoides de cafeeiros, o principal modo de introdução de fitonematoides, é através de mudas contaminadas. Dessa forma, o uso de mudas certificadas é crucial para evitar a penetração e disseminação.
De acordo com o professor, Dr. Ailton Rocha Monteiro (Esalq-USP), em 1981: “não se deve plantar nematoides”. O controle curativo de nematoides, praticamente não elimina esses parasitas do solo, mas atua reduzindo. Portanto, a melhor medida de controle, é a exclusão, evitando o plantio de café em áreas infectadas. Somente mudas sadias devem ser utilizadas.
Dentre os diversos métodos de controle curativo empregados no combate aos nematoides, o que apresenta resultado mais eficiente é o uso de cafeeiros resistentes. Além do mais, a utilização de plantas de adubo verde (plantas que reciclam nutrientes do solo e da atmosfera, deixando o solo mais fértil) em sistema de rotação de cultura (a mesma área para mais de um plantio), ou com os cafeeiros e o uso de adubos orgânicos, contribuem para a melhoria do controle dos nematoides.

Ademais, a aplicação de nematicidas e controle biológico, que tem se destacado no manejo de nematóides. Aproximadamente 200 organismos são considerados inimigos naturais dos fitonematoides, entre eles fungos, bactérias e nematoides predadores (Pimentel, 2009). Estudos com fungos nematófagos foram conduzidos e apresentaram resultados promissores (Krzyzanowski, 2006). Foi avaliado pela pesquisa o efeito dos fungos micorrízicos e nematófagos no biocontrole de Meloidogyne paranaensis, na micorrização e na nutrição fosfatada (adubação com fósforo) do cafeeiro.

Eduardo Faria de Carvalho
Engenheiro Agrônomo
Capebe Boa Esperança











